A região possui histórias impressionantes sobre a dedicação deste povo ao trabalho. Entlige han sich kaput geschaft, aber sind die woh auch wenich aus das Arbeite sich geqüelt han. Temos pessoas que entregaram sua vida ao trabalho e ao sacrifício brutal de trabalhar com a finalidade de juntar um capital familiar ou deixar uma herança aos seus filhos. Inclusive algumas pessoas até se sentiam culpadas quando passavam o dia sem ao menos ter trabalhado ou produzido algo. O ócio não é um valor que se aplica a rigor na cultura alemã.
Por aqui podemos perceber que a palavra trabalho tem um vínculo muito forte com a origem do termo, que é derivado do latim, e que na Antiguidade denominava um instrumento de tortura imposto sobre os únicos que realmente deviam sofrer trabalhando.
Em São João do Oeste tivemos um caso de dedicação ao trabalho, o que pudemos constatar quando ele fazia seu trabalho de arador. Seus gritos e lamentações com a junta de bois eram tão intensos e explosivos, que se assemelhavam a um drama. Era uma verdadeira angústia escutar este homem a guiar o arado. Era algo impressionante, porque quando ele fazia seu trabalho toda a comunidade escutava seu berreiro. “Vaaamo seus lerdos, eu não tenho o dia todo!”. Pelos gritos do homem, para quem estava desinformado, parecia que ele arava com três bois: “Mineiro, Bahiano, Aiaiaiaiai!”
Nos primeiros anos de colonização de Porto Novo, o trabalho era essencialmente braçal. Era necessário derrubar a mata, queimar os troncos e arar a terra, num trabalho braçal sofrido. A família numerosa dedicava-se inteira a atividade agrícola, catando as pedras para que a terra apresentasse mínimas condições de plantio. Aquela situação era realmente desoladora. Crianças cheias de feridas de picadas de insetos, unhas sujas de terra, pés com uma crosta do frio do inverno. Realmente não era tarefa fácil distinguir os animais dos seres humanos na lida na roça.
Mas por aqui nem todos eram assim tão entusiasmados pelo trabalho. Doh ware auch die woh gern in die Schtat gefah sind. Na cidade passavam a tarde jogando baralho ou incomodando o prefeito com lamentações, enquanto que a mulher e os filhos cuidavam da propriedade. Estes realmente acreditavam que o trabalho era um castigo de Deus, e não estavam nem um pouco interessados em suprir sua dívida divina. E estes transeuntes não fazem parte somente de nossa história, alguns deles ainda andam por aí.
O trabalho se tornava ainda mais sacrificante pelas condições físicas de nossas terras e matas. Em alguns locais a roça era tão inclinada que o arador, para fazer seu trabalho de arar a terra devia usar uma junta um tanto estranha: para equilibrar a declividade do terreno, de um lado cangava um boi, e de outro, um porco. E aquelas verdadeiras jornadas pela sobrevivência que eram realizadas a carroça, que atravessava terrenos montanhosos e acidentados, munidos simplesmente com um sistema de freio extremamente inseguro. Os bois, coitados, chegavam em casa babando de sofrimento, e ainda por cima eram proibidos de comer ou consumir água por uma espécie De cesta que prendia sua boca – Maulkhorap.
Quando os bois se cansavam de seu trabalho extenuante, e decidiam por falta de forças deixar de puxar a carroça, o animal de duas patas os castigava cruelmente e sem perdão, com um chicote violento, que quando chicoteava, assobiava no atrito com o ar.
No passado se trabalhava muito e se produzia relativamente pouco. Muitas pessoas morreram de tanto trabalhar, assolados por doenças físicas de tanto castigarem o seu corpo. Homens e mulheres, adultos e crianças, temos um passado marcado pelo trabalho pesado, e isso está impregnado em nossa cultura, por isso se diz que o alemão tem um corpo rude e duro, moldado pela geração do trabalho.
Sábado, 20 de Junho de 2009
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
A criança enjaulada
Ana já estava em trabalho de parto havia um bom tempo. A dor era muito forte e a parteira fazia uso de todas as suas possibilidades para amenizar o sofrimento e favorecer o nascimento da criança. Temos de admitir que as possibilidades da parteira eram bastante limitadas. Naquele momento, o que ela podia fazer era acalmar a gestante com palavras de estímulo e fazer algumas rezas para que uma intervenção divina auxiliasse aquela pobre mulher a parir seu filho. Era a o ano de 1946, na colônia de Porto Novo, época em que os partos eram extremamente difíceis: não havia hospitais próximos, médicos, enfermeiros e ferramentas, o que preponderava era a força da gestante, a habilidade da parteira e uma boa dose de sorte e de fé.
A dor que Ana sentia sugava todas suas forças. Seu suor já molhava os lençóis da cama do casal. A cama era ao mesmo tempo local de dormitório, de cura de enfermos e partos. Na maioria dos casos, na mesma casa as pessoas eram concebidas, nasciam, adoeciam e faleciam. Diferentemente de hoje, na época eram os objetos que viam as pessoas nascer e morrer.
O trabalho de parto já havia suprido todas as forças de Ana e as possibilidades da parteira. O marido Antônio acompanhava todo o processo apreensivo, já estava quase decidido a encilhar seu cavalo e cavalgar trinta quilômetros para buscar um médico.
Ana segurava em sua mãe a imagem da Virgem Maria, ela a aconchegava, dava força e proteção. Era preciso buscar mais forças para que o filho nascesse. Depois de um longo período de sofrimento, a criança acabou nascendo, mas o parto teve complicações, o que afetou a integridade física da criança. No momento de cortar o cordão umbilical da criança, Ana ficou assustada, estava em dúvida se ela sobriveviria sem ele. O sangue havia manchado toda a cama, mas estava no fim o sofrimento. Mal sabia a família de que aquela criança iria se tornar um filho enjaulado.
A criança por ter sofrido no momento do parto acabou desenvolvendo uma deficiência no cérebro que afetou a sua capacidade mental e causou danos na sua estrutura física. Na medida em que ela crescia, os pais da criança passavam a perceber que se tratava de uma criança anormal. Na época, muitas famílias entendiam que uma criança deste feitio era uma espécie de um castigo divino, ou até mesmo uma mensagem diabólica.
Ana e seu marido não entendiam o que haviam feito de errado para receber tal “maldição”. Será que Deus havia lhes imposto um castigo? Conforme a criança foi crescendo também foi aumentando o preconceito da família e da sociedade sobre ela. Com o tempo a família passou a entender que era vergonhoso ter uma criança deste feitio, e tomou uma decisão drástica: enjaular a criança. Escondê-la da sociedade, literalmente.
Ana sentia sinceramente em ter que fazer isso com seu filho, mas seu marido era quem tomava a decisão final. Ele acreditava que a criança havia nascido com estes problemas por culpa da esposa, e por isso, ela devia consentir em mantê-la enjaulada.
Acabaram prendendo a criança dentro de um quarto, da onde só podia sair em alguns momentos, principalmente na hora das refeições. Algumas vezes era retirada para ter contato com a luz solar, quando era amarrada a um pé de laranja, para que não fugisse. Jamais essa criança foi mostrada para a sociedade, e sempre alguém devia ficar em casa para cuidar dela enquanto que o restante da família freqüentava a missa ou as festas comunitárias. Uma vida isolada da sociedade, que jamais teve contato social, jamais aprendeu a ler e a escrever, jamais pôde sentir o gosto da vida.
A criança que nasceu com problemas físicos e mentais devido às complicações no parto era uma vergonha para a família. Era uma espécie de um castigo de Deus, e por isso devia ser mantida em cativeiro.
Parece uma história cruel, mas não é uma ficção. São histórias reais deste povo, que permanecem ocultas por vergonha, por culpa ou por omissão. Vidas podadas por crenças e valores morais preconceituosos.
A dor que Ana sentia sugava todas suas forças. Seu suor já molhava os lençóis da cama do casal. A cama era ao mesmo tempo local de dormitório, de cura de enfermos e partos. Na maioria dos casos, na mesma casa as pessoas eram concebidas, nasciam, adoeciam e faleciam. Diferentemente de hoje, na época eram os objetos que viam as pessoas nascer e morrer.
O trabalho de parto já havia suprido todas as forças de Ana e as possibilidades da parteira. O marido Antônio acompanhava todo o processo apreensivo, já estava quase decidido a encilhar seu cavalo e cavalgar trinta quilômetros para buscar um médico.
Ana segurava em sua mãe a imagem da Virgem Maria, ela a aconchegava, dava força e proteção. Era preciso buscar mais forças para que o filho nascesse. Depois de um longo período de sofrimento, a criança acabou nascendo, mas o parto teve complicações, o que afetou a integridade física da criança. No momento de cortar o cordão umbilical da criança, Ana ficou assustada, estava em dúvida se ela sobriveviria sem ele. O sangue havia manchado toda a cama, mas estava no fim o sofrimento. Mal sabia a família de que aquela criança iria se tornar um filho enjaulado.
A criança por ter sofrido no momento do parto acabou desenvolvendo uma deficiência no cérebro que afetou a sua capacidade mental e causou danos na sua estrutura física. Na medida em que ela crescia, os pais da criança passavam a perceber que se tratava de uma criança anormal. Na época, muitas famílias entendiam que uma criança deste feitio era uma espécie de um castigo divino, ou até mesmo uma mensagem diabólica.
Ana e seu marido não entendiam o que haviam feito de errado para receber tal “maldição”. Será que Deus havia lhes imposto um castigo? Conforme a criança foi crescendo também foi aumentando o preconceito da família e da sociedade sobre ela. Com o tempo a família passou a entender que era vergonhoso ter uma criança deste feitio, e tomou uma decisão drástica: enjaular a criança. Escondê-la da sociedade, literalmente.
Ana sentia sinceramente em ter que fazer isso com seu filho, mas seu marido era quem tomava a decisão final. Ele acreditava que a criança havia nascido com estes problemas por culpa da esposa, e por isso, ela devia consentir em mantê-la enjaulada.
Acabaram prendendo a criança dentro de um quarto, da onde só podia sair em alguns momentos, principalmente na hora das refeições. Algumas vezes era retirada para ter contato com a luz solar, quando era amarrada a um pé de laranja, para que não fugisse. Jamais essa criança foi mostrada para a sociedade, e sempre alguém devia ficar em casa para cuidar dela enquanto que o restante da família freqüentava a missa ou as festas comunitárias. Uma vida isolada da sociedade, que jamais teve contato social, jamais aprendeu a ler e a escrever, jamais pôde sentir o gosto da vida.
A criança que nasceu com problemas físicos e mentais devido às complicações no parto era uma vergonha para a família. Era uma espécie de um castigo de Deus, e por isso devia ser mantida em cativeiro.
Parece uma história cruel, mas não é uma ficção. São histórias reais deste povo, que permanecem ocultas por vergonha, por culpa ou por omissão. Vidas podadas por crenças e valores morais preconceituosos.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Histórias do velho oeste: uns causos da comunidade de Ervalzinho
Ervalzinho era uma comunidade que se desenvolvia pacatamente às margens do Riacho Dourado. Diziam que antigamente havia por lá belos ervais, o que se torna difícil de evidenciar pela aparente escassez desta espécie vegetal naquela localidade. Mas o que se pode dizer da comunidade de Ervalzinho, é que por lá aconteceram uns causos um tanto interessantes.
A começar pela prática do bolão. No início, a cancha de bolão estava localizada no meio de um matagal, onde se encontrava duas pranchas serradas de toras, que serviam de cancha. Naquele recinto os homens, deixamos bem claro, os homens, se divertiam e tomavam cerveja. A cerveja, chamada de Morena, era fabricada em Itapiranga, e como o próprio nome já dizia, era bem escura. Muitos garotos tomaram pela primeira vez em sua vida a cerveja Morena e fumaram seu primeiro cigarro naquela cancha no meio de um matagal.
A primeira festa organizada pela comunidade foi uma verdadeira surpresa. O Padre Junges SJ, ficou incumbido de fazer propaganda da festa nas comunidades vizinhas. No dia da festa compareceram tantas pessoas, que acabou faltando comida, e as pessoas foram obrigadas a ir para casa buscar pães, cucas e bolachas para serem consumidas na festa. Um fato marcante na história religiosa da comunidade, foi a visita do Bispo da então diocese de Palmas, Dom Carlos Eduardo Saboia Bandeira de Mello, que chegou até a Ervalzinho no carro modelo 29, do senhor Reinoldo Reckziegel.
Nos primeiros anos havia na comunidade um armazém onde era depositada a produção agrícola da comunidade. E quando era vendida esta produção o armazém se transformava num aconchegante salão, onde eram realizados os bailes animados por gaiteiros. Naqueles bailes havia a temida comissão de ordem, que se responsabilizava por controlar qualquer desvio de conduta moral dos festeiros.
Nas missas o padre controlava a roupa dos fiéis. As mulheres não deviam mostrar partes de seus corpos e os homens deviam estar vestidos com calças e casacos, mesmo no calor do verão. Na festa de Jubileu de vinte e cinco anos da primeira missa, o Padre Hanzen SJ, realizou uma procissão feita com cavalos e carroças. Quando a procissão se aproximou da comunidade foram disparados muitos foguetes, o que assustou os cavalos e os bois. Muitas carroças tombaram naquele dia, bem como, muitos cavalos saíram em disparada incontrolável.
O primeiro rádio da comunidade era de propriedade do Senhor João Weiland. Muitas pessoas iam até a sua casa para se divertir com o rádio. O rádio funcionava a base de bateria e para carregá-la era preciso cavalgar até a comunidade de Dourado, na propriedade de José Eyerkaufer, que carregava as baterias com um cata-vento.
Certo dia a comunidade de Ervalzinho foi atingida por um temporal. Chuvas torrenciais arrasaram as plantações e encharcaram as residências, arrastando consigo tudo o que encontrava em seu caminho. Um garoto observa assustado o riacho transbordado, e um fato chamou a sua atenção. Num remanso, como de surpresa, ele avistou uma tábua a boiar, e nela, assustadoramente, o garoto percebeu uma quantidade enorme de pulgas a se salvar das águas. As pulgas eram de fato, uma constante na vida dos pioneiros. Não só na vida, mas principalmente nos pés inflamados das crianças.
Nesta torrencial chuva, a labareda do fogão de uma família foi apagada. Era necessário achar fogo para aquecer a família e secar a roupa. Como na época não se disponibilizava de regalias modernas, como isqueiro e fósforo, o chefe da casa teve de caminhar até Beato Roque para tentar trazer uma brasa acesa para novamente acender a chama do fogão.
História de um povo, histórias de uma comunidade, que são minhas, que são suas, que são nossas. São a vivência de um povo que teve de utilizar do espírito comunitário e altruísta para garantir a sobrevivência.
A começar pela prática do bolão. No início, a cancha de bolão estava localizada no meio de um matagal, onde se encontrava duas pranchas serradas de toras, que serviam de cancha. Naquele recinto os homens, deixamos bem claro, os homens, se divertiam e tomavam cerveja. A cerveja, chamada de Morena, era fabricada em Itapiranga, e como o próprio nome já dizia, era bem escura. Muitos garotos tomaram pela primeira vez em sua vida a cerveja Morena e fumaram seu primeiro cigarro naquela cancha no meio de um matagal.
A primeira festa organizada pela comunidade foi uma verdadeira surpresa. O Padre Junges SJ, ficou incumbido de fazer propaganda da festa nas comunidades vizinhas. No dia da festa compareceram tantas pessoas, que acabou faltando comida, e as pessoas foram obrigadas a ir para casa buscar pães, cucas e bolachas para serem consumidas na festa. Um fato marcante na história religiosa da comunidade, foi a visita do Bispo da então diocese de Palmas, Dom Carlos Eduardo Saboia Bandeira de Mello, que chegou até a Ervalzinho no carro modelo 29, do senhor Reinoldo Reckziegel.
Nos primeiros anos havia na comunidade um armazém onde era depositada a produção agrícola da comunidade. E quando era vendida esta produção o armazém se transformava num aconchegante salão, onde eram realizados os bailes animados por gaiteiros. Naqueles bailes havia a temida comissão de ordem, que se responsabilizava por controlar qualquer desvio de conduta moral dos festeiros.
Nas missas o padre controlava a roupa dos fiéis. As mulheres não deviam mostrar partes de seus corpos e os homens deviam estar vestidos com calças e casacos, mesmo no calor do verão. Na festa de Jubileu de vinte e cinco anos da primeira missa, o Padre Hanzen SJ, realizou uma procissão feita com cavalos e carroças. Quando a procissão se aproximou da comunidade foram disparados muitos foguetes, o que assustou os cavalos e os bois. Muitas carroças tombaram naquele dia, bem como, muitos cavalos saíram em disparada incontrolável.
O primeiro rádio da comunidade era de propriedade do Senhor João Weiland. Muitas pessoas iam até a sua casa para se divertir com o rádio. O rádio funcionava a base de bateria e para carregá-la era preciso cavalgar até a comunidade de Dourado, na propriedade de José Eyerkaufer, que carregava as baterias com um cata-vento.
Certo dia a comunidade de Ervalzinho foi atingida por um temporal. Chuvas torrenciais arrasaram as plantações e encharcaram as residências, arrastando consigo tudo o que encontrava em seu caminho. Um garoto observa assustado o riacho transbordado, e um fato chamou a sua atenção. Num remanso, como de surpresa, ele avistou uma tábua a boiar, e nela, assustadoramente, o garoto percebeu uma quantidade enorme de pulgas a se salvar das águas. As pulgas eram de fato, uma constante na vida dos pioneiros. Não só na vida, mas principalmente nos pés inflamados das crianças.
Nesta torrencial chuva, a labareda do fogão de uma família foi apagada. Era necessário achar fogo para aquecer a família e secar a roupa. Como na época não se disponibilizava de regalias modernas, como isqueiro e fósforo, o chefe da casa teve de caminhar até Beato Roque para tentar trazer uma brasa acesa para novamente acender a chama do fogão.
História de um povo, histórias de uma comunidade, que são minhas, que são suas, que são nossas. São a vivência de um povo que teve de utilizar do espírito comunitário e altruísta para garantir a sobrevivência.
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
o padre que escondeu o ouro
Era por volta do ano de 1756, as reduções jesuíticas que catequizavam índios guaranis no Rio Grande do Sul eram ameaçadas pela invasão dos soldados portugueses. Os padres jesuítas, que residiam ali com permissão da Espanha, realizavam um trabalho de evangelização dos povos guaranis. Sentindo a ameaça da invasão portuguesa, os padres decidiram esconder parte do seu ouro que haviam acumulado nos longos anos de trabalho nas missões jesuíticas.
Retiraram o ouro que estava escondido dentro de estátuas de santos, que em Minas Gerais ficaram conhecidos como “santo do pau-oco”, e incumbiram o padre José de levá-lo para um lugar seguro, que ficava numa missão jesuítica no Paraguai. Partiram em dois cavalos: padre José e o índio Juacy, carregando uma pequena riqueza em ouro. A partida foi anunciada pelo sino imponente no alto da torre. Dizem que os sinos das reduções jesuíticas eram tão fortes, que era possível se comunicar entre todas as reduções jesuíticas do Sul. Antes da partida, os dois foram abençoados pelo valente guerreiro Sepé Tiarajú, que segundo a lenda, dizem ter uma estrela brilhante na testa. Sepé acabou morrendo na batalha contra os portugueses, defendendo o povo guarani. Morreu gritando: “Esta terra tem dono!”
Os dois viajantes seguiram em trilhas indígenas que cortavam o Noroeste gaúcho, atravessavam o Rio Uruguai na região de Mondaí, seguiam pelo oeste catarinense e paranaense e terminavam em território paraguaio. Na travessia do Rio Uruguai acabaram perdendo um cavalo, levado pelas águas. Por sorte, o ouro estava no cavalo mais forte. A jornada era difícil, a maioria das picadas estavam abandonadas, e os animais selvagens eram uma ameaça.
A certa altura da viagem ocorreu o ataque de uma onça faminta, que acabou matando o jovem índio Juacy. O cavalo, também ferido, teve de ser abandonado. Restou ao padre José seguir a jornada com o ouro, motivado pela fé e pela causa jesuítica. Descansou na altura da nascente de um riacho, num local sempre utilizado por viajantes para o descanso da tropa.
Depois de carregar o ouro por um longo percurso, o padre José sabia que não iria terminar sua jornada, estava exausto. Decidiu escondê-lo e tentar assim chegar a seu destino. Queria ser lembrado como o padre que escondeu o ouro, não como aquele que o perdeu. Escolheu um lugar misterioso. Naquele dia, ou por mera coincidência ou por ação dos espíritos guaranis, o sol refletiu na parede rochosa a face de um índio, que pode ser avistada ainda hoje no solstício de inverno e de verão.
No momento em que enterrou o ouro, o padre estava num estado de transe tão profundo que todas as almas dos povos indígenas das missões se fizeram presentes. Aqueles povos, ricos de alma e de cultura, então dizimados pela violência, escolheram um lugar propício para aquele tesouro. O tesouro enterrado representa a riqueza da cultura Guarani dos Sete Povos das Missões.
A alma de uma criança Guarani foi incumbida de proteger aquele tesouro. Dizem as bocas do povo, de que aquela criança vaga pelas matas e chora durante a noite. Somente pessoas puras e sinceras podem escutar este choro, o qual representa uma pista para o tesouro Guarani. Esta misteriosa alma foi chamada de “Baixinho” e pode ser ouvida no Sítio Roncador, no interior do município de Paraíso. Diz a lenda de que aquela alma está presa ao tesouro, esperando que alguém capacitado o bastante a apareça para libertá-la.
Para quem quiser conhecer, deve conhecer o Sítio Roncador na época de inverno ou verão, para perceber o rosto indígena emoldurado nas rochas. Quem sabe você não escuta o “Baixinho” a chorar e encontra o tesouro escondido?
Jamais se teve notícias do padre José.
Retiraram o ouro que estava escondido dentro de estátuas de santos, que em Minas Gerais ficaram conhecidos como “santo do pau-oco”, e incumbiram o padre José de levá-lo para um lugar seguro, que ficava numa missão jesuítica no Paraguai. Partiram em dois cavalos: padre José e o índio Juacy, carregando uma pequena riqueza em ouro. A partida foi anunciada pelo sino imponente no alto da torre. Dizem que os sinos das reduções jesuíticas eram tão fortes, que era possível se comunicar entre todas as reduções jesuíticas do Sul. Antes da partida, os dois foram abençoados pelo valente guerreiro Sepé Tiarajú, que segundo a lenda, dizem ter uma estrela brilhante na testa. Sepé acabou morrendo na batalha contra os portugueses, defendendo o povo guarani. Morreu gritando: “Esta terra tem dono!”
Os dois viajantes seguiram em trilhas indígenas que cortavam o Noroeste gaúcho, atravessavam o Rio Uruguai na região de Mondaí, seguiam pelo oeste catarinense e paranaense e terminavam em território paraguaio. Na travessia do Rio Uruguai acabaram perdendo um cavalo, levado pelas águas. Por sorte, o ouro estava no cavalo mais forte. A jornada era difícil, a maioria das picadas estavam abandonadas, e os animais selvagens eram uma ameaça.
A certa altura da viagem ocorreu o ataque de uma onça faminta, que acabou matando o jovem índio Juacy. O cavalo, também ferido, teve de ser abandonado. Restou ao padre José seguir a jornada com o ouro, motivado pela fé e pela causa jesuítica. Descansou na altura da nascente de um riacho, num local sempre utilizado por viajantes para o descanso da tropa.
Depois de carregar o ouro por um longo percurso, o padre José sabia que não iria terminar sua jornada, estava exausto. Decidiu escondê-lo e tentar assim chegar a seu destino. Queria ser lembrado como o padre que escondeu o ouro, não como aquele que o perdeu. Escolheu um lugar misterioso. Naquele dia, ou por mera coincidência ou por ação dos espíritos guaranis, o sol refletiu na parede rochosa a face de um índio, que pode ser avistada ainda hoje no solstício de inverno e de verão.
No momento em que enterrou o ouro, o padre estava num estado de transe tão profundo que todas as almas dos povos indígenas das missões se fizeram presentes. Aqueles povos, ricos de alma e de cultura, então dizimados pela violência, escolheram um lugar propício para aquele tesouro. O tesouro enterrado representa a riqueza da cultura Guarani dos Sete Povos das Missões.
A alma de uma criança Guarani foi incumbida de proteger aquele tesouro. Dizem as bocas do povo, de que aquela criança vaga pelas matas e chora durante a noite. Somente pessoas puras e sinceras podem escutar este choro, o qual representa uma pista para o tesouro Guarani. Esta misteriosa alma foi chamada de “Baixinho” e pode ser ouvida no Sítio Roncador, no interior do município de Paraíso. Diz a lenda de que aquela alma está presa ao tesouro, esperando que alguém capacitado o bastante a apareça para libertá-la.
Para quem quiser conhecer, deve conhecer o Sítio Roncador na época de inverno ou verão, para perceber o rosto indígena emoldurado nas rochas. Quem sabe você não escuta o “Baixinho” a chorar e encontra o tesouro escondido?
Jamais se teve notícias do padre José.
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Histórias do velho oeste: o dia em que pastel de tigre virou herói
Esta é mais uma daquelas histórias típicas do velho oeste. Fatos que viraram lenda na boca povo. Episódios pitorescos, amedrontadores, casuais, trágicos, que de tão anormais beiram ao ridículo ou ao improvável. Histórias de um povo, como esta do dia em que um cão franzino enfrentou um tigre.
Alberto era um caçador da fronteira, possuía um aparato completo para adentrar ilegalmente na mata da Argentina, e com seu grupo de amigos, divertir-se e arriscar-se na caça de animais silvestres. No entanto, nos últimos dias, Alberto e seus amigos vinham enfrentando um grave problema: a ameaça de um tigre. Sim, acreditavam ser um tigre que uivava na madrugada e matava os cães de caça do grupo. Estavam enganados, pois se tratava na verdade de uma onça, pois sabemos que em nossas matas jamais existiram tigres.
O grupo estava decidido a encontrar uma maneira de acabar com a ameaça da onça malvada, que buscava no seu mais natural instinto, garantir a sua sobrevivência. A decisão de acabar com o tal tigre foi tomada no dia em que ele matou o cão mais hábil do grupo de caçadores, o “Chole”, magrelo, mas que tinha uma destreza capaz de liquidar com porcos do mato e com cobras das mais venenosas. Era necessário achar uma forma de reparar essa perda, e a forma encontrada foi acabar com o tigre.
Decidiram armar uma armadilha, ein Fahl, feita a base de espingardas, que consistia numa isca capaz de chamar a atenção da presa, que adentrando na armadilha acionava o gatilho das espingardas. Dispuseram todas as espingardas na forma que todas elas convergissem para o centro, e com cordas condicionaram a armadilha perfeita. Se o tigre esbarrasse em alguma destas cordas, seus dias estavam contados. Mas o grande problema foi achar uma isca, pois naquele dia não conseguiram capturar nenhum animal para tal, vendo que estavam mata adentro, longe da fronteira, a beira do Rio Jabuti.
Alberto sabia que no grupo de cães havia um que, de tão magro era possível se fazer um raio-X com um foque. Ele possuía um valor muito mais sentimental do que prático, era muito fraco para ser um cão caçador em potencial.
Estava tomada a decisão, a noite se aproximava e era preciso armar a armadilha e partir, pois havia o perigo de uma chuva que se aproximava. Alberto amarrou seu pequeno cão, que de tão desprezível, nem nome tinha. Partiram com a certeza de que conseguiriam matar o tigre, e partiram também convictos de que a perda daquele pequeno cão não significaria nada para o grupo.
Durante a noite ocorreu uma chuva torrencial, e todas as armas Salon falharam, menos uma, de fabricação caseira, que acabou dando o tiro fatal no tigre. O pequeno cão, de tão amedrontado, havia se enrolado na corda que o amarrava, e se demorasse ainda pouco mais, acabaria morrendo sufocado.
Quando os caçadores retornaram no dia seguinte, encontraram o improvável. O cão franzino, feliz de ver novamente seu dono, e o tigre morto, com um tiro no pescoço. Todas as armas falhadas pela pólvora molhada, e somente a arma de Alfredo descarregada com um tiro certeiro.
Todos os caçadores comemoram com tiros e garrafas de cachaça que carregavam nas sacolas. Somente Alfredo olhava aquela cena, quieto, mas muito orgulhoso. “Der kleine Hunt, woh keine getankt hat, hot uns geret”, pensou ele.
– A partir de hoje - declarou Alfredo - este pobre cão merecerá um tratamento especial, vou eu mesmo tirar todas as bernes que o enfraquecem, e ele será meu companheiro fiel, o pastel de tigre, o cão que virou um herói.
Esta é mais uma daquelas histórias de caçador, típicas do homem de fronteira. É uma história do nosso velho oeste. Verdade ou não, o leitor que decida.
Alberto era um caçador da fronteira, possuía um aparato completo para adentrar ilegalmente na mata da Argentina, e com seu grupo de amigos, divertir-se e arriscar-se na caça de animais silvestres. No entanto, nos últimos dias, Alberto e seus amigos vinham enfrentando um grave problema: a ameaça de um tigre. Sim, acreditavam ser um tigre que uivava na madrugada e matava os cães de caça do grupo. Estavam enganados, pois se tratava na verdade de uma onça, pois sabemos que em nossas matas jamais existiram tigres.
O grupo estava decidido a encontrar uma maneira de acabar com a ameaça da onça malvada, que buscava no seu mais natural instinto, garantir a sua sobrevivência. A decisão de acabar com o tal tigre foi tomada no dia em que ele matou o cão mais hábil do grupo de caçadores, o “Chole”, magrelo, mas que tinha uma destreza capaz de liquidar com porcos do mato e com cobras das mais venenosas. Era necessário achar uma forma de reparar essa perda, e a forma encontrada foi acabar com o tigre.
Decidiram armar uma armadilha, ein Fahl, feita a base de espingardas, que consistia numa isca capaz de chamar a atenção da presa, que adentrando na armadilha acionava o gatilho das espingardas. Dispuseram todas as espingardas na forma que todas elas convergissem para o centro, e com cordas condicionaram a armadilha perfeita. Se o tigre esbarrasse em alguma destas cordas, seus dias estavam contados. Mas o grande problema foi achar uma isca, pois naquele dia não conseguiram capturar nenhum animal para tal, vendo que estavam mata adentro, longe da fronteira, a beira do Rio Jabuti.
Alberto sabia que no grupo de cães havia um que, de tão magro era possível se fazer um raio-X com um foque. Ele possuía um valor muito mais sentimental do que prático, era muito fraco para ser um cão caçador em potencial.
Estava tomada a decisão, a noite se aproximava e era preciso armar a armadilha e partir, pois havia o perigo de uma chuva que se aproximava. Alberto amarrou seu pequeno cão, que de tão desprezível, nem nome tinha. Partiram com a certeza de que conseguiriam matar o tigre, e partiram também convictos de que a perda daquele pequeno cão não significaria nada para o grupo.
Durante a noite ocorreu uma chuva torrencial, e todas as armas Salon falharam, menos uma, de fabricação caseira, que acabou dando o tiro fatal no tigre. O pequeno cão, de tão amedrontado, havia se enrolado na corda que o amarrava, e se demorasse ainda pouco mais, acabaria morrendo sufocado.
Quando os caçadores retornaram no dia seguinte, encontraram o improvável. O cão franzino, feliz de ver novamente seu dono, e o tigre morto, com um tiro no pescoço. Todas as armas falhadas pela pólvora molhada, e somente a arma de Alfredo descarregada com um tiro certeiro.
Todos os caçadores comemoram com tiros e garrafas de cachaça que carregavam nas sacolas. Somente Alfredo olhava aquela cena, quieto, mas muito orgulhoso. “Der kleine Hunt, woh keine getankt hat, hot uns geret”, pensou ele.
– A partir de hoje - declarou Alfredo - este pobre cão merecerá um tratamento especial, vou eu mesmo tirar todas as bernes que o enfraquecem, e ele será meu companheiro fiel, o pastel de tigre, o cão que virou um herói.
Esta é mais uma daquelas histórias de caçador, típicas do homem de fronteira. É uma história do nosso velho oeste. Verdade ou não, o leitor que decida.
Assinar:
Postagens (Atom)
